A oito meses da COP31, que ocorrerá em Antália, na Turquia, o governo brasileiro trabalha para consolidar os legados da conferência de Belém e acelerar a transição ecológica mundial. O embaixador André Corrêa do Lago, principal negociador do país, confirmou que os mapas do caminho para o fim do desmatamento global e para a transição longe dos combustíveis fósseis serão finalizados até novembro de 2026. Essas diretrizes são consideradas fundamentais para viabilizar a queda nas emissões de gases de efeito estufa e orientar as políticas nacionais dos 193 países signatários do Acordo de Paris.
Uma das inovações da gestão brasileira é o foco na fase de implementação, que busca transformar as negociações diplomáticas em ações práticas e mensuráveis. Até o dia 31 de março, o Brasil mantém aberta uma chamada global para receber contribuições de governos, setor privado e ONGs sobre como estruturar esses guias. O objetivo é evitar posturas radicais que inviabilizem o consenso internacional, buscando um equilíbrio que permita cumprir as decisões tomadas em Dubai e Belém sem afastar grandes produtores de energia da mesa de diálogo.
O embaixador também destacou o desafio de estruturar o financiamento climático, estimado em US$ 1,3 trilhão anuais para apoiar países em desenvolvimento. Atualmente, há uma clara divergência estratégica entre as maiores potências: enquanto a China aposta na liderança das energias renováveis, os Estados Unidos mantêm o foco na produção de petróleo e gás como instrumento de poder geopolítico. Essa polarização dificulta a construção de uma estrutura universal de energia dentro da Organização das Nações Unidas (ONU).
Para garantir a transparência nos fluxos financeiros, o Brasil trabalha com especialistas globais para definir com precisão o que constitui um recurso climático, separando-o de verbas destinadas à biodiversidade. A imprecisão nos números atuais gera desconfiança entre países doadores e receptores, o que trava o avanço das metas de descarbonização. Além dos mapas de energia e florestas, a presidência brasileira prioriza o fortalecimento da Agenda de Ação para que o processo multilateral migre definitivamente da teoria para a execução nos próximos anos.
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