Dois relatórios divulgados pela Controladoria-Geral da União (CGU) revelam graves falhas na gestão do Ministério da Saúde relacionadas à compra e ao armazenamento de vacinas, medicamentos e testes de Covid-19. As auditorias apontam desperdício bilionário e falta de controle nos processos de aquisição e logística de insumos públicos.
Em um dos documentos, a CGU estima que o país perdeu R$ 2,3 bilhões entre 2021 e 2023 devido ao vencimento de imunizantes e medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS). O órgão de controle identificou seis principais falhas: ausência de parâmetros para perdas aceitáveis; sistemas de estoque deficientes; descumprimento e inadequações da Portaria GM/MS 4.777/2022; problemas logísticos; e recebimento de insumos com validade reduzida — inferior a 70% da vida útil.
Outro relatório trata do superdimensionamento na compra de testes de Covid-19 em 2024. O ministério planejava adquirir 90 milhões de unidades, ao custo de R$ 189 milhões, mas reduziu o volume para 73 milhões após alerta da CGU.
Segundo o órgão, o excesso de compras representa risco elevado de desperdício, já que os testes possuem prazo de validade limitado. A CGU lembrou ainda que o Tribunal de Contas da União (TCU) já havia identificado prejuízos semelhantes durante a pandemia, com grandes estoques vencidos por falta de planejamento.
O relatório também critica a falta de acompanhamento sobre o destino dos medicamentos distribuídos aos estados e municípios. “Após a distribuição, o Ministério da Saúde muitas vezes não tem conhecimento sobre o que ocorre com esses insumos, o que pode comprometer a eficiência da cadeia logística”, conclui o documento.
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