Os protestos que eclodiram no Irã tiveram início com comerciantes do bazar reclamando da inflação desenfreada e da desvalorização da moeda local, mas rapidamente se expandiram e ganharam proporções maiores pelo país. A informação foi compartilhada pelo embaixador do Brasil no Irã, André Veras Guimarães, durante entrevista à CNN.
Segundo Guimarães, as manifestações começaram com reclamações específicas sobre a economia, mas evoluíram para um cenário mais amplo de insatisfação. “Os protestos começam com os comerciantes do bazar reclamando sobre a inflação, reclamando sobre a desvalorização da moeda, mas isso em um certo momento começa a escalonar e o nível da violência parece que vai aumentando à medida que há incentivo às pessoas a irem para as ruas”, explicou.
O embaixador mencionou que dois fatores contribuíram para o aumento da participação popular nos protestos. Primeiro, os chamamentos feitos por Reza Paleves, filho do último chá do Irã, que convocava manifestações e dava instruções aos manifestantes. Além disso, declarações do presidente americano prometendo apoio aos manifestantes teriam encorajado mais pessoas a saírem às ruas.
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Diante da escalada dos protestos, as autoridades iranianas tomaram medidas drásticas, incluindo o corte da internet no país. Durante reunião com diplomatas no domingo (11), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, justificou a interrupção como necessária para impedir “incitações” e alegou que nas fases mais violentas dos protestos houve “infiltração de agentes externos e terroristas”. O governo iraniano interpretou os acontecimentos como parte de uma continuação do conflito com Israel e Estados Unidos, segundo relatou o embaixador brasileiro.
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