O governo federal trabalha na criação da Política Nacional de Economia Criativa, um projeto interministerial que visa integrar definitivamente o setor à agenda nacional de desenvolvimento. A iniciativa, discutida nesta quarta-feira (17) durante seminário no Rio de Janeiro, será formalizada por meio de um decreto que envolverá sete ministérios, incluindo as pastas da Cultura, Turismo, Ciência e Tecnologia, Trabalho, Indústria, além das áreas de Micro e Pequena Empresa e Integração Regional.
Estratégia de estado
A secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura, Cláudia Leitão, destacou que o objetivo é transformar a economia criativa em uma política de Estado perene. O processo de construção do marco regulatório contou com escutas regionais realizadas pelo Fórum Brasil Criativo, que percorreu o país para coletar contribuições locais. A etapa final das discussões ocorre nesta semana no Rio de Janeiro, onde será elaborada a Carta do Sudeste, documento que fundamentará o futuro decreto e o Plano Brasil Criativo.
Potencial econômico e financiamento
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, enfatizou a necessidade de despertar a iniciativa privada para o potencial do segmento. Segundo a ministra, o investimento em cultura gera resultados rápidos, promove sociabilidade e movimenta diversos outros setores produtivos. Um dos maiores entraves discutidos no seminário é o financiamento, uma vez que a natureza intangível dos ativos criativos dificulta o acesso a linhas de crédito convencionais. Representantes do BNDES sugeriram a criação de mecanismos específicos, como um possível Fundo Nacional de Economia Criativa.
Referência internacional
O governo brasileiro enxerga no setor uma oportunidade de crescimento comparável ao modelo adotado pela Coreia do Sul, que transformou sua indústria cultural em um motor de influência e economia global nas últimas duas décadas. Para consolidar essa visão no Brasil, o evento reuniu experiências exitosas de empreendedores culturais de diversos estados. A meta é combinar o apoio do setor público com crédito, garantias e parcerias internacionais, assegurando que milhões de trabalhadores da área tenham acesso a políticas estruturadas para o desenvolvimento de seus modelos de negócio.
Comentários: