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Sexta-feira, 06 de Marco de 2026

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Feminicídios no Brasil superam dados oficiais em quase 40% em 2025

Relatório da UEL aponta que 2.149 mulheres foram assassinadas no ano passado; levantamento utiliza monitoramento de mídia para identificar casos subnotificados.

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Por Painel Rondônia
Feminicídios no Brasil superam dados oficiais em quase 40% em 2025
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O Brasil registrou 6.904 casos de feminicídio — entre consumados e tentados — ao longo de 2025, um salto de 34% em relação ao ano anterior. Do total, 2.149 mulheres foram assassinadas, o que equivale a uma média de quase seis mortes diárias. Os dados constam no Relatório Anual de Feminicídios, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL). O estudo revela uma discrepância alarmante, pois o número de mortes identificado pela universidade é 38,8% superior aos 1.548 registros oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

A diferença de mais de 600 casos entre os dados acadêmicos e os governamentais é atribuída à subnotificação e a falhas na tipificação do crime no momento do registro policial. Enquanto o sistema oficial depende das informações enviadas pelos estados, o Lesfem utiliza uma metodologia de contradados, monitorando diariamente notícias e fontes não estatais. Segundo a pesquisadora Daiane Bertasso, muitos crimes não são classificados como feminicídio por falta de formação específica dos agentes de segurança, embora apresentem todas as características de ódio ao gênero.

A análise qualitativa do relatório detalha que o feminicídio no Brasil ocorre predominantemente dentro de casa e por mãos conhecidas, com 75% dos crimes cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas. A residência da mulher ou do casal aparece como o local mais perigoso em 59% das ocorrências. A maioria das vítimas estava na faixa etária entre 25 e 34 anos, com uma idade mediana de 33 anos. O impacto social é profundo, visto que pelo menos 1.653 crianças perderam as mães para a violência de gênero no ano passado e 101 vítimas estavam grávidas.

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O relatório enfatiza que o feminicídio não é um crime isolado, mas o desfecho de um ciclo de violências anteriores que costuma ser negligenciado pela sociedade. Mesmo entre as mulheres que buscaram ajuda, o sistema falhou, pois 22% delas haviam registrado denúncias antes de serem mortas. O uso de armas brancas foi o método utilizado em quase metade dos casos. A pesquisa também alerta para o crescimento de redes digitais que propagam a masculinidade tóxica, influenciando o comportamento de jovens e agravando o cenário de misoginia no país.

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FONTE/CRÉDITOS: Admin User
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