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Domingo, 19 de Abril de 2026

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A Tragédia que Expõe Nossa Formação Social

Leia o artigo escrito por Jorge Washington de Amorim Junior.

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Por Painel Rondônia
A Tragédia que Expõe Nossa Formação Social
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A morte de uma professora pelas mãos de um aluno não pode ser compreendida apenas como um ato individual de violência, trata-se de um acontecimento extremo que nos obriga a olhar para a sociedade que estamos produzindo e para o tipo de formação humana que estamos permitindo, ou impedindo, de acontecer.

É legítimo e necessário discutir a violência contra a mulher, especialmente quando ela se manifesta de forma brutal, no entanto, limitar a análise a essa dimensão pode nos impedir de enxergar a totalidade das determinações sociais que tornam episódios como esse possíveis.

Vivemos em uma sociedade profundamente desigual, marcada por concentração de renda, precarização das condições de vida, naturalização da competição e redução das relações humanas à lógica do mercado, a escola, inserida nesse contexto, passa a carregar tensões que não são originalmente suas, mas que se manifestam em seu interior.

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Quando a educação é progressivamente reduzida a um serviço, a uma mercadoria ou a um instrumento de inserção produtiva, esvazia-se sua função formativa mais ampla, em vez de promover a apropriação da cultura, da ciência, da arte e do pensamento crítico, elementos fundamentais para a humanização, ela passa a ser percebida apenas como mecanismo de certificação, seleção e exclusão.

Nesse cenário, a reprovação deixa de ser compreendida como parte de um processo pedagógico e passa a ser vivida como fracasso pessoal, ameaça ao futuro e negação de possibilidades materiais de existência, não se trata de justificar a violência, que é injustificável, mas de compreender as condições sociais que produzem subjetividades tensionadas, frustradas e, por vezes, incapazes de elaborar conflitos sem recorrer à agressão.

A barbárie não nasce de um único fator, ela se constrói lentamente, quando a desigualdade se naturaliza, quando a dignidade humana se subordina ao valor econômico, quando o trabalho se torna a única medida de existência e quando a educação perde sua dimensão emancipadora.

Defender a escola, os professores e a vida das mulheres é também defender uma sociedade menos desigual, uma educação que não seja apenas preparação para o mercado e uma formação humana que permita às pessoas compreenderem o mundo, a si mesmas e aos outros de forma mais consciente.

Se quisermos evitar novas tragédias, precisamos enfrentar não apenas o ato violento, mas o conjunto de condições sociais que o tornam possível.

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FONTE/CRÉDITOS: Admin User
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