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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2025

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Supersalários no setor público custam ao Brasil R$ 20 bi em 12 meses

Estudo aponta mais de 53 mil servidores recebendo acima do teto constitucional — número 20 vezes maior que o da Argentina

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Por Painel Rondônia
Supersalários no setor público custam ao Brasil R$ 20 bi em 12 meses
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O Brasil é o país que mais gasta com supersalários no serviço público entre dez nações das Américas e da Europa analisadas em um estudo inédito divulgado nesta quarta-feira (26). Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o total desembolsado com remunerações acima do teto constitucional chegou a R$ 20 bilhões, valor mais de 20 vezes superior ao da Argentina, segunda colocada no ranking.

O levantamento foi realizado pelo pesquisador Sergio Guedes-Reis, da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), a pedido do Movimento Pessoas à Frente e da República.org.

De acordo com o estudo, 53.500 servidores ativos e inativos recebem acima do teto constitucional — atualmente fixado em R$ 46.366,19. O número é quase o dobro do registrado na Argentina, onde há 27 mil funcionários públicos com supersalários, e 13 vezes maior que nos Estados Unidos.

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Esses 53.500 profissionais representam 1,34% do universo de 4 milhões de servidores analisados. A amostra inclui servidores e aposentados do Executivo federal, Judiciário federal e estadual, Ministérios Públicos, Legislativo, TCU, DPU, além de funcionários dos governos estaduais de São Paulo e Minas Gerais.

Onde estão os supersalários?

O grupo mais numeroso é o da magistratura, com 21 mil juízes e desembargadores, cujas remunerações acima do teto somaram R$ 11,5 bilhões.
Nos Ministérios Públicos, foram identificados 10.300 membros recebendo acima do limite legal, totalizando R$ 3,2 bilhões.

No governo federal, 12.200 servidores ultrapassaram o teto, representando um gasto extra de R$ 4,33 bilhões, sendo a maioria vinculada às carreiras jurídicas da União.
Na Câmara dos Deputados, mil servidores receberam acima do limite constitucional.

Entre os países analisados, sete não chegam a registrar mais de 2 mil servidores com supersalários — caso de Chile, Colômbia, França, Itália, México, Portugal e Reino Unido.
A Alemanha não registrou nenhum pagamento acima do teto legal.

Desigualdade e impacto social

O estudo também compara os supersalários com a renda da população brasileira. A mediana da renda anual no país é de cerca de R$ 28 mil. Já quase 40 mil servidores tiveram renda superior a R$ 685 mil no período analisado — valor que os coloca no grupo do 1% mais rico.
Metade deles (49,8%) é da magistratura e 21,1% do Ministério Público.

Para Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente, o gasto bilionário com supersalários:

“impacta negativamente o orçamento público, amplia a desigualdade remuneratória no funcionalismo e desmoraliza o Estado”.

A especialista Ana Pessanha, da República.org, reforça que o Brasil é um ponto fora da curva:

“Não podemos achar aceitável que a sociedade banque o enriquecimento de uma pequena elite que prejudica a imagem de todo o serviço público”.

Segundo ambas, a reforma administrativa, aliada a mudanças legais, é fundamental para eliminar de vez as brechas que permitem supersalários no país.

FONTE/CRÉDITOS: Admin User
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