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Terça-feira, 22 de Setembro de 2026

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Vida pós-De Zerbi: Como Brighton voltou a se tornar o time mais interessante da Premier League

Durante anos, o Brighton se tornou um laboratório tático da Premier League. Graham Potter construiu uma equipe flexível e associativa. Roberto De Zerbi radicalizou a ideia da posse, convidando adversários a pressionarem para depois encontrar espaços nas costas da primeira linha. Quando o italiano deixou o clube, em 2024, havia uma dúvida natural sobre o …

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Vida pós-De Zerbi: Como Brighton voltou a se tornar o time mais interessante da Premier League
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Vida pós-De Zerbi: Como Brighton voltou a se tornar o time mais interessante da Premier League

Durante anos, o Brighton se tornou um laboratório tático da Premier League. Graham Potter construiu uma equipe flexível e associativa. Roberto De Zerbi radicalizou a ideia da posse, convidando adversários a pressionarem para depois encontrar espaços nas costas da primeira linha. Quando o italiano deixou o clube, em 2024, havia uma dúvida natural sobre o que aconteceria com um time que havia construído uma identidade tão particular.

Fabian Hurzeler chegou com apenas 31 anos e, em vez de tentar reproduzir De Zerbi, preservou algumas das estruturas que existiam e mudou a maneira como a equipe usa o espaço e a bola para atacar. O resultado apareceu de forma clara na vitória por 3 a 0 sobre o Arsenal, no último sábado (19). E, mais do que isso, construiu o time do melhor ataque da liga até aqui.

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Além de recuperar a bola, o Brighton deixa o adversário desconfortável

Hurzeler transformou a intensidade em uma forma de controle. Depois de cinco rodadas, o Brighton tem 16 gols, o melhor ataque da liga e a terceira colocação. Também lidera as estatísticas de pressão: dados da “Opta” apontam que 52,7% dos toques dos adversários aconteceram sob alta pressão, enquanto o time registra média de apenas 6,6 passes adversários por ação defensiva, a menor marca do país.

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Pressionar alto e ser uma equipe de pressão são coisas diferentes. A primeira pode acontecer em determinados momentos da partida, a segunda é uma ideia estrutural. Significa construir o time inteiro de maneira que, quando a bola for perdida, existam jogadores próximos o suficiente para recuperá-la rapidamente. O Brighton faz isso agressivamente porque sua estrutura com bola já prepara a equipe para a pressão.

Quando está atacando, Hurzeler frequentemente mantém quatro ou cinco jogadores avançados, ocupando a última linha ou os espaços imediatamente à frente dela. Isso tem uma consequência óbvia: se o adversário recupera a bola, o Brighton não precisa percorrer muitos metros para começar a pressionar. 

Chema celebra gol do Brighton contra o ArsenalChema celebra gol do Brighton contra o Arsenal (Foto: IMAGO/Colorsport)

Ainda de acordo com a “Opta”, o Brighton lidera a Premier League em recuperações de bola a até 40 metros do gol adversário, com 41 até a partida contra o Arsenal, e Charalampos Kostoulas liderava individualmente a competição em recuperações no terço final. Ao mesmo tempo, 14,2% de todas as pressões do Brighton aconteciam dentro da área adversária, a maior proporção da liga.

Há, portanto, uma relação direta entre a maneira como o Brighton ataca e a maneira como defende. Quando a equipe coloca muitos jogadores à frente, não está simplesmente tentando criar mais opções ofensivas. Está também construindo uma rede de contenção ao redor da bola.

A ‘quebra de regra' contra o Arsenal explica o ‘Hurzeler-ball'

A análise do “The Athletic” sobre o confronto parte de um conceito “universal” da pressão no futebol. Quando uma equipe perde a bola e o adversário ainda está organizando sua saída, é relativamente comum utilizar uma marcação homem a homem. A posse está instável: o rival ainda não conseguiu organizar seus jogadores e encontrar uma estrutura confortável. É o momento ideal para atacar a bola.

O problema surge quando o adversário consegue escapar dessa primeira pressão e estabelecer uma posse consolidada. Normalmente, nesse momento, a equipe que estava pressionando recua para um bloco mais zonal. É uma questão de segurança. Se todos continuarem saltando individualmente, basta um passe superar uma marcação para abrir um enorme espaço atrás dela.

O Arsenal de Mikel Arteta é bom em transformar esse momento em controle. Os zagueiros se abrem, os meio-campistas recuam e a equipe cria superioridades numéricas na primeira linha. É assim que Arteta transforma a posse em território. Hurzeler decidiu não permitir isso.

Fabian Hurzeler em jogo do Brighton. Foto: Imago/Sean RyanFabian Hurzeler em jogo do Brighton. Foto: Imago/Sean Ryan

Na sequência analisada pelo “The Athletic”, Martin Odegaard recua entre os zagueiros para formar justamente a superioridade que costuma permitir ao Arsenal escapar da primeira pressão. Rice também se posiciona para oferecer uma saída adicional. Em tese, o Arsenal tem jogadores suficientes para controlar a bola e obrigar o Brighton a recuar. Só que Chema faz o movimento contrário.

O jovem meio-campista percebe que o Arsenal criou superioridade numérica e abandona sua referência para saltar sobre Odegaard. Atrás dele, os outros jogadores do Brighton começam a ajustar suas próprias posições. Em poucos segundos, o que parecia uma posse consolidada do Arsenal volta a ser uma posse instável.

É uma diferença pequena no movimento de um jogador, mas enorme na lógica coletiva. O Arsenal tinha acabado de construir uma superioridade numérica para controlar o Brighton, mas os Sagulls transformaram aquela superioridade em armadilha.

O risco é enorme, e por isso o Brighton é divertido

Ainda assim, o Brighton não é taticamente perfeito. O sistema de Hurzeler depende de uma premissa perigosa: se você vai colocar tantos jogadores à frente da bola, precisa recuperar a bola antes que o adversário consiga correr. Quando funciona, o Brighton sufoca o adversário. Quando não, a estrutura pode produzir espaço para o rival atacar.

É por isso que o comportamento dos zagueiros e dos laterais é importante. Não adianta Kostoulas pressionar “sem parar” se a linha defensiva não acompanhar. Quando um atacante salta, alguém atrás dele precisa decidir imediatamente se acompanha o movimento, fecha a linha de passe ou protege o espaço que acabou de ser abandonado.

Contra o Arsenal, isso funcionou porque os encaixes eram coordenados. Contra o Chelsea, na derrota por 4 a 3, não foi. É uma defesa feita de decisões individuais que precisam acontecer quase simultaneamente.

E a agressividade sem bola conversa diretamente com a agressividade com bola. O time não precisa construir ataques longos para chegar ao gol. Muitas vezes, sua melhor situação ofensiva começa no momento em que recupera a posse no campo adversário. O adversário está desorganizado e o Brighton ataca imediatamente.

Os números ofensivos acontecem mesmo precisando improvisar constantemente. Danny Welbeck deixou o clube, Kaoru Mitoma e outros jogadores importantes enfrentaram problemas físicos, e o treinador precisou recorrer a jogadores jovens ou deslocados de posição. Ainda assim, Charalampos Kostoulas assumiu protagonismo no ataque, enquanto Maxim De Cuyper, originalmente lateral, passou a atuar mais avançado pela esquerda.

Isso é consequência de uma ideia importante de Hurzeler: a posição inicial não determina necessariamente a posição final. O Brighton pode começar em um 4-2-3-1, mas seus jogadores trocam de altura constantemente. Pascal Gross pode baixar para iniciar a construção enquanto outro meio-campista avança. A formação serve como ponto de partida.

Hurzeler não pegou um clube de posse de bola e o transformou em um time reativo. A essência do Brighton continua ali. O clube ainda quer controlar o jogo com a bola, construir desde trás, criar superioridades e utilizar jogadores tecnicamente capazes em diferentes posições. O que mudou foi a interpretação de controle.

Para De Zerbi, atualmente tentando implementar suas ideias no Tottenham, controlar muitas vezes significava manipular o adversário com a bola: atraí-lo para uma zona, criar espaço atrás da pressão e encontrar o passe que quebrasse a primeira linha. Para Hurzeler, o controle pode estar do outro lado: não permitir que o adversário tenha uma posse estável o suficiente para fazer o mesmo com você.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Ramos
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