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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2026

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Seleção brasileira: Por que Ancelotti terá de ser mais construtor do que gestor

Carlo Ancelotti terá, a partir de agora, algo que não teve em seu primeiro ano na seleção brasileira: tempo. O italiano chegou ao cargo com a missão de preparar o Brasil para uma Copa do Mundo que começaria pouco mais de um ano depois. Precisou tomar decisões rapidamente, conviver com lesões, testar alternativas em um …

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Seleção brasileira: Por que Ancelotti terá de ser mais construtor do que gestor
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Seleção brasileira: Por que Ancelotti terá de ser mais construtor do que gestor

Carlo Ancelotti terá, a partir de agora, algo que não teve em seu primeiro ano na seleção brasileira: tempo. O italiano chegou ao cargo com a missão de preparar o Brasil para uma Copa do Mundo que começaria pouco mais de um ano depois. Precisou tomar decisões rapidamente, conviver com lesões, testar alternativas em um espaço curto e definir os 26 jogadores que levaria ao Mundial.

A eliminação para a Noruega encerrou aquele ciclo antes do esperado. O que começa agora é diferente: pela primeira vez, Ancelotti terá quatro anos para preparar uma equipe.

Mas ter um ciclo completo até 2030 não significa apenas trabalhar com mais tranquilidade. Significa assumir uma tarefa muito maior. A Seleção que deixou a Copa de 2026 não tinha uma base tão consolidada a ponto de simplesmente ser ajustada com duas ou três mudanças. Há lacunas no gol, nas laterais, no meio-campo e até no ataque, onde a quantidade de opções não elimina a necessidade de descobrir quais delas realmente conseguem sustentar o nível internacional.

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É nesse cenário que o termo “construtor” ganha sentido. Ancelotti não terá só de administrar um elenco já conhecido e escolher os melhores nomes disponíveis. Precisará descobrir quem serão os jogadores que formarão a Canarinho de 2030. Terá de acompanhar, testar, descartar, recuperar, insistir e, sobretudo, criar referências onde hoje ainda existem dúvidas.

O novo ciclo da Seleção: poucas certezas e muitas posições para preencher

Jogadores brasileiros aplaudem torcida após empate por 1 a 1 com a AustráliaJogadores brasileiros aplaudem torcida após empate por 1 a 1 com a Austrália (Foto: Jono Searle / AAP / IMAGO)

Hoje, a Seleção possui alguns nomes que parecem naturalmente associados ao novo ciclo. Vinícius Junior, Raphinha, Gabriel Magalhães e Bruno Guimarães estão entre as referências que permaneceram após a Copa. A eles devem se juntar jogadores que ficaram fora do Mundial por lesão e podem recuperar espaço importante, principalmente Rodrygo e Éder Militão, dois atletas que Ancelotti conhece profundamente da passagem pelo Real Madrid.

A relação construída no clube espanhol dá a eles uma vantagem que outros candidatos ainda precisarão conquistar: o treinador já sabe o que podem oferecer e como respondem às suas ideias.

Isso, porém, está longe de representar uma espinha dorsal pronta. A primeira convocação depois da Copa deixou essa realidade evidente: 17 dos 26 jogadores que disputaram o Mundial ficaram fora, enquanto nove permaneceram na lista. Entre os remanescentes estavam justamente alguns dos nomes que podem formar a base do novo grupo, como Vinícius, Raphinha, Gabriel Magalhães e Bruno Guimarães.

O problema é que, para quase todas as posições, Ancelotti terá de encontrar respostas. No gol, Alisson e Ederson não foram chamados para os primeiros amistosos do novo ciclo, abrindo espaço para uma avaliação mais ampla. A lateral-direita também aparece como uma posição que exigirá atenção, enquanto a esquerda ainda não tem um dono indiscutível.

Na zaga, Gabriel Magalhães oferece uma referência, mas o retorno de Militão e a definição de seus parceiros ainda fazem parte da equação. No meio-campo, a situação é ainda mais evidente. Bruno Guimarães aparece como um nome de continuidade, mas o próprio Ancelotti reconheceu que falta encontrar jogadores capazes de elevar o nível do setor.

Não se trata apenas de uma questão de quantidade. O treinador procura características que possam alterar o modo como a equipe joga. Se surgir um meio-campista capaz de controlar mais o jogo, por exemplo, o modelo da Seleção poderá ser diferente daquele apresentado em 2026.

Na frente, a situação parece mais confortável, mas ainda não resolvida. Vinícius e Raphinha oferecem experiência e protagonismo; Rodrygo pode retornar; Endrick e Estêvão representam uma geração mais jovem; e outros nomes ainda terão de mostrar que conseguem transformar desempenho em clubes em rendimento pela Seleção. Ou seja: mesmo onde existe maior oferta de talento, Ancelotti precisará descobrir a combinação que funciona.

O novo trabalho será descobrir, não só escolher

Ancelotti ao lado de sua comissão técnica no banco de reservas durante amistoso entre Austrália x Brasil Ancelotti ao lado de sua comissão técnica no banco de reservas durante amistoso entre Austrália x Brasil (Foto: Jono Searle / IMAGO)

É justamente essa diferença que separa o Ancelotti gestor do Ancelotti construtor. Na preparação para 2026, o treinador precisava escolher entre jogadores que já conhecia ou que tinham pouco tempo para provar alguma coisa.

Agora, pode acompanhar uma geração inteira. Um jogador pode receber uma oportunidade em setembro, desaparecer de uma convocação em novembro e voltar seis meses depois em outro estágio de desenvolvimento. A avaliação não precisará ser definitiva a cada Data Fifa.

O próprio Ancelotti já falou em “avaliar bem” os jogadores e acompanhar sua progressão junto aos clubes. A declaração revela uma mudança importante na função do treinador: ele não pode olhar só para quem está pronto hoje. Precisa identificar quem poderá estar pronto em 2028 ou 2030. Isso envolve observar categorias de base, acompanhar jogadores que surgem no futebol brasileiro e monitorar aqueles que ganham espaço no exterior.

A convocação de setembro é apenas o primeiro retrato desse processo. Nomes como Jair, Breno Bidon, Arthur Dias e outros jovens receberam espaço, enquanto jogadores que participaram da Copa ficaram de fora. Não significa que os primeiros já estejam garantidos em 2030 ou que os “segundos” tenham sido definitivamente descartados. A lógica é justamente outra: Ancelotti precisa ampliar o número de candidatos antes de reduzir o grupo.

Essa será uma das maiores mudanças de perspectiva para o italiano.

Em um clube, Ancelotti recebe um elenco relativamente definido e trabalha diariamente com os jogadores. Na Seleção, terá poucos dias a cada convocação. Por isso, sua capacidade de construção dependerá também da relação com os clubes e da estrutura da própria CBF. Ele mesmo já apontou que a formação do talento acontece principalmente nos clubes e que a Seleção precisa acompanhar essa evolução de perto.

A consequência é que os próximos quatro anos não podem ser vistos somente como uma sucessão de amistosos. Cada convocação precisará responder a uma pergunta: o que este jogador acrescenta ao projeto de 2030? Às vezes, a resposta será positiva. Em outras, o teste servirá justamente para mostrar que determinada alternativa não funciona. O erro faz parte do processo, desde que exista critério para transformá-lo em informação.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Calvano
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