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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026

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Convocação da Seleção: Quem não foi em setembro e merece estar na nova lista de Ancelotti

A primeira convocação de Carlo Ancelotti após a Copa do Mundo de 2026 foi marcada pela renovação. O treinador chamou oito estreantes para os amistosos contra Austrália e Índia, em setembro e outubro, e sinalizou que pretende observar jogadores capazes de formar a base da Seleção rumo ao próximo Mundial. A lista, porém, também deixou …

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Convocação da Seleção: Quem não foi em setembro e merece estar na nova lista de Ancelotti
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Convocação da Seleção: Quem não foi em setembro e merece estar na nova lista de Ancelotti

A primeira convocação de Carlo Ancelotti após a Copa do Mundo de 2026 foi marcada pela renovação. O treinador chamou oito estreantes para os amistosos contra Austrália e Índia, em setembro e outubro, e sinalizou que pretende observar jogadores capazes de formar a base da Seleção rumo ao próximo Mundial.

A lista, porém, também deixou questões em aberto: a lateral esquerda ainda não tem um dono, a defesa pode ganhar alternativas com características diferentes e o meio-campo precisa de mais soluções. A próxima oportunidade de mexer nesse cenário chega nesta quinta-feira (29), quando Ancelotti anunciará os convocados para os amistosos contra Japão e Singapura, em novembro. Os jogos serão os últimos compromissos do Brasil em 2026.

Nesse contexto, alguns jogadores merecem entrar na discussão. Kaiki Bruno e Carlos Augusto oferecem alternativas para uma posição ainda em aberto; Natan e Beraldo podem ampliar as opções de zagueiros canhotos; João Gomes e Ederson apresentam caminhos diferentes para o meio-campo; e Matheus Cunha é um nome importante para dar continuidade a uma estrutura ofensiva que já começou a ganhar forma.

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Kaiki Bruno e Carlos Augusto: alternativas para uma lateral em aberto

A lateral-esquerda é uma das posições que mais justificam novas observações de Ancelotti. Na convocação de setembro, o treinador chamou Douglas Santos e Mauro Júnior. A posição ainda permite concorrência principalmente porque Douglas, de 32 anos, pode não estar em 2030.

Kaiki Bruno aparece como uma opção interessante. Depois de se destacar pelo Cruzeiro, o lateral foi negociado com o Como e passou a experimentar um contexto diferente no futebol europeu. A mudança de clube não apaga o desempenho que o colocou no radar da Seleção: Kaiki combina disposição para avançar com capacidade de participar da construção pelo lado esquerdo.

Kaiki Bruno comemora gol do ComoKaiki Bruno comemora gol do Como (Foto: IMAGO / Gribaudi/ImagePhoto)

Do ponto de vista tático, oferece amplitude ao ataque. Um lateral que consegue avançar e ocupar o corredor permite que o ponta jogue mais por dentro, aproximando-se dos meias e dos atacantes. Isso pode ser útil para uma equipe que busca variar as formas de chegar ao último terço sem depender exclusivamente de jogadas individuais dos pontas.

Há, naturalmente, um período de adaptação a considerar. Kaiki ainda está no início de sua trajetória na Itália, mesmo que já tenha destaque. A questão é dar sequência à avaliação de um jogador que já foi observado por Ancelotti e que pode crescer na disputa pela posição.

Carlos Augusto também merece atenção. Na Inter de Milão, o brasileiro tem alternado entre a titularidade e a entrada durante as partidas, mas mostrou capacidade de produzir em pouco tempo em campo. Na vitória por 3 a 1 sobre o Bologna, por exemplo, marcou um gol e deu uma assistência depois de sair do banco.

Além da capacidade de atuar como lateral, Carlos Augusto tem experiência em uma estrutura que utiliza alas e pode jogar como zagueiro pelo lado esquerdo em uma linha de três. Essa versatilidade é relevante para Ancelotti, que precisa de alternativas capazes de adaptar o desenho da equipe durante uma partida, sem necessariamente fazer uma substituição.

Natan e Beraldo: zagueiros canhotos com funções diferentes

A busca por um zagueiro canhoto foi uma questão recorrente na montagem da Seleção no ciclo anterior. Gabriel Magalhães consolidou-se como uma referência da posição, mas encontrar um reserva com características semelhantes não é simples. Um defensor que joga com o pé esquerdo facilita a saída pelo lado correspondente e pode ajudar a equipe a progredir sem precisar deslocar a bola constantemente para o outro corredor.

Natan merece ser observado pelo que vem fazendo no Real Betis. Tem porte físico para disputar duelos e vem acumulando minutos na equipe espanhola. Na temporada 2026/27, começou como titular em sete partidas de LaLiga, um sinal de que tem conseguido espaço e continuidade.

Natan em jogo do BetisNatan em jogo do Betis. Foto: IMAGO / Pressinphoto

A convocação permitiria avaliar como suas características se traduzem para o nível internacional. Mais do que a capacidade de defender a área, interessa observar como Natan se comporta quando a Seleção precisa avançar suas linhas, defender longe do próprio gol e iniciar as jogadas sob pressão. São situações nas quais o posicionamento e a qualidade do primeiro passe do zagueiro podem ser tão importantes quanto a força nos duelos.

Lucas Beraldo apresenta outra possibilidade. Também canhoto, o defensor do Paris Saint-Germain já tem experiência em um clube que exige participação ativa dos zagueiros na construção. Sua convocação serviria tanto para ampliar as opções da posição quanto para testar uma alternativa mais experimental: a possibilidade de utilizá-lo no meio-campo.

Beraldo tem características que podem despertar essa curiosidade, sobretudo pela qualidade com a bola e pela capacidade de iniciar jogadas. Isso não significa que esteja pronto para substituir um volante de origem ou que a adaptação seja necessariamente a melhor solução. A função exige leitura defensiva, proteção à frente da zaga e capacidade de reagir às transições adversárias, responsabilidades diferentes das de um defensor central.

Para além disso, Beraldo também tem sido majoritariamente usado com volante no PSG, o que abre mais uma possibilidade para Ancelotti. Poderia Beraldo ser o substituo de Casemiro, por exemplo?

João Gomes e Ederson: mais alternativas no meio

O meio-campo também oferece uma oportunidade para Ancelotti ampliar o repertório da Seleção. Em setembro, o treinador observou diferentes combinações e deu minutos a jogadores com características distintas. Danilo, do Botafogo, participou dos três amistosos, enquanto Bruno Guimarães e Andrey Santos também foram utilizados em funções mais recuadas. O próximo passo é avaliar quais alternativas podem sustentar o equilíbrio da equipe em cenários diferentes.

João Gomes é uma opção para aumentar a intensidade defensiva do setor. O meio-campista e se destaca pela capacidade de pressionar, disputar a bola e cobrir espaços. Em uma equipe que deseja recuperar a posse mais rapidamente, essas características podem ser valiosas, especialmente quando os laterais avançam e deixam espaços para o adversário explorar.

João Gomes em jogo do Aston VillaJoão Gomes em jogo do Aston Villa. Foto: IMAGO / Action Plus

A principal questão é definir a função. João Gomes pode atuar como um volante de maior mobilidade, ajudando a perseguir adversários e a encurtar o campo, mas também precisa ser avaliado na proteção central à frente dos zagueiros. Essa responsabilidade exige saber quando sair para pressionar e quando permanecer na posição para impedir que o rival encontre espaço entre as linhas.

Ederson, por sua vez, oferece uma alternativa com outro perfil. O meio-campista da Atalanta pode contribuir para dar dinamismo à circulação da bola e conectar setores, além de oferecer intensidade sem posse. Sua candidatura não depende de ser uma cópia de Danilo, mas de dar a Ancelotti outra combinação possível para o meio-campo.

A diferença entre essas funções é importante. Um volante não é avaliado apenas pela quantidade de desarmes: precisa proteger o espaço central, oferecer uma linha de passe aos zagueiros e ajudar a equipe a controlar as transições. Testar diferentes perfis permite a Ancelotti entender quais combinações funcionam melhor ao lado de Bruno Guimarães.

Matheus Cunha: continuidade à estrutura ofensiva

Matheus Cunha representa uma necessidade diferente. Em vez de ser uma alternativa para uma posição ainda em aberto, o atacante já conhece o modelo de Ancelotti e teve participação importante na Seleção. Depois de uma boa Copa do Mundo, mantê-lo no grupo ajudaria a preservar conexões e evitar que cada convocação se transforme em uma nova rodada de testes.

Cunha oferece mobilidade para atuar tanto como centroavante quanto atrás do jogador mais avançado. No Manchester United, mostrou capacidade de receber entre as linhas, conduzir a bola em direção à defesa adversária e criar jogadas sem depender de permanecer fixo na área. A versatilidade permite que participe da construção e, ao mesmo tempo, ataque os espaços quando a equipe acelera.

Matheus Cunha em jogo da seleção brasileiraMatheus Cunha em jogo da seleção brasileira (Foto: IMAGO / HMB-Media)

Essa característica pode ser útil para o Brasil porque dá ao ataque mais de uma forma de progredir. Quando Cunha recua, pode abrir espaço para um ponta atacar a profundidade ou aproximar-se de um meia para construir uma superioridade numérica. Quando ocupa a última linha, oferece uma opção de passe vertical e pode participar de combinações curtas perto da área.

O desafio para Ancelotti é transformar essas possibilidades individuais em relações estáveis. A Seleção precisa definir quais jogadores se complementam melhor, como os pontas devem ocupar os corredores e quem será responsável por conectar o meio-campo ao ataque. Cunha já conhece as exigências do treinador e pode ajudar a dar continuidade ao trabalho, em vez de reiniciar o processo a cada Data Fifa.

É importante encorpar o elenco, apesar do início do ciclo, por ser a última Data Fifa do ano — levando em consideração que já haverá uma Copa América daqui praticamente um ano e meio e um número não tão grande de convocações até lá.

A lista de outubro não precisa resolver todas as dúvidas da Seleção, mas pode ajudar Ancelotti a organizar as prioridades do ciclo. Os amistosos contra Japão e Singapura também permitem que o treinador observe os jogadores em contextos diferentes.

O duelo com os japoneses tende a oferecer um teste competitivo mais exigente, enquanto o confronto com Singapura pode abrir espaço para experiências. O importante será usar os jogos para avaliar funções e combinações, não apenas distribuir minutos.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Ramos
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