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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2026

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Carrick sob pressão: Os trunfos e riscos de 4 treinadores ventilados no Manchester United

A derrota por 3 a 0 para o Bournemouth, em Old Trafford, ampliou a pressão sobre Michael Carrick e colocou novamente o Manchester United diante de uma questão recorrente: qual treinador seria capaz de recolocar o clube nos trilhos? O ex-jogador, até o momento, está mantido no cargo — mas até quando? Com oito partidas …

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Por Painel Rondônia
Carrick sob pressão: Os trunfos e riscos de 4 treinadores ventilados no Manchester United
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Carrick sob pressão: Os trunfos e riscos de 4 treinadores ventilados no Manchester United

A derrota por 3 a 0 para o Bournemouth, em Old Trafford, ampliou a pressão sobre Michael Carrick e colocou novamente o Manchester United diante de uma questão recorrente: qual treinador seria capaz de recolocar o clube nos trilhos? O ex-jogador, até o momento, está mantido no cargo — mas até quando?

Com oito partidas consecutivas sem vitória, os Red Devils atravessam um momento delicado, e a diretoria já avalia alternativas para o comando técnico. Entre os nomes discutidos, Eddie Howe e Julian Nagelsmann despontam como principais candidatos, enquanto Unai Emery e Antonio Conte também aparecem no horizonte.

A escolha, porém, está longe de ser simples. O United precisa recuperar competitividade, encontrar uma identidade de jogo e administrar um ambiente marcado por cobranças constantes. Nesse cenário, cada candidato oferece vantagens específicas, mas também carrega dúvidas sobre sua capacidade de lidar com as particularidades de Old Trafford.

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Mais do que comparar currículos, cabe avaliar o que cada um poderia entregar e quais obstáculos precisaria superar para transformar o potencial em resultados.

Eddie Howe: experiência na Premier League e capacidade de reconstrução

Eddie Howe, ex-técnico do NewcastleEddie Howe, ex-técnico do Newcastle (Foto: Dennis Goodwin / Pro Sports Images / IMAGO)

A trajetória de Eddie Howe no Newcastle oferece argumentos consistentes para uma eventual chegada ao Manchester United. Contratado em novembro de 2021, quando os Magpies estavam na zona de rebaixamento, o inglês conduziu uma transformação que levou a equipe à Champions League e culminou na conquista da Copa da Liga Inglesa de 2025, encerrando um longo jejum de títulos nacionais do clube.

Seu principal mérito foi estabelecer uma estrutura coletiva competitiva. Howe construiu equipes intensas, agressivas na pressão e capazes de acelerar o jogo após recuperar a posse. Essa abordagem poderia ajudar o United a corrigir problemas recorrentes de organização, diminuir os espaços entre os setores e recuperar a capacidade de incomodar os adversários sem depender exclusivamente de iniciativas individuais.

A familiaridade com a Premier League também pesa a favor do treinador. Em um momento de instabilidade, conhecer as exigências do campeonato e ter experiência na construção de um projeto competitivo representa uma vantagem. Além disso, Howe demonstrou capacidade de desenvolver jogadores e elevar o rendimento de times que ainda estavam distantes do primeiro escalão inglês.

Há, contudo, razões para cautela. O treinador deixou o Newcastle em julho de 2026 após concluir que precisava de uma pausa e avaliar que seu ciclo no clube havia chegado ao fim. A decisão ocorreu em meio a divergências sobre o rumo do projeto e à perda de influência nas decisões de mercado. Embora haja relatos de que consideraria conversar com o United, sua disposição para assumir imediatamente outro trabalho de enorme pressão precisa ser levada em conta.

Também seria necessário avaliar se o elenco atual conseguiria sustentar o nível de intensidade exigido por seu modelo. Sem reforços adequados e maior equilíbrio entre os setores, a pressão alta pode deixar espaços exploráveis pelos adversários. Howe oferece uma perspectiva de reconstrução relativamente conhecida, mas precisaria encontrar em Old Trafford condições que permitissem executar suas ideias.

Julian Nagelsmann: potencial tático e uma mudança de identidade

Julian Nagelsmann, ex-técnico da seleção alemãJulian Nagelsmann, ex-técnico da seleção alemã (Foto: Allstar Picture Library / IMAGO)

Julian Nagelsmann representa uma alternativa de perfil diferente. Aos 39 anos, o alemão já comandou Hoffenheim, RB Leipzig e Bayern de Munique, além da seleção de seu país. Seu trabalho é marcado pela versatilidade tática, pela pressão coordenada e pela capacidade de alterar a organização da equipe conforme as características do adversário.

Para o Manchester United, a principal contribuição estaria na construção de um modelo ofensivo mais elaborado. O time precisa melhorar a ocupação dos espaços, encontrar soluções contra defesas fechadas e criar mecanismos coletivos que não dependam apenas da inspiração dos jogadores mais talentosos. Nagelsmann tem repertório para trabalhar essas questões, utilizando diferentes estruturas e movimentações para gerar superioridade numérica em zonas importantes do campo.

Sua experiência no Bayern também indica familiaridade com um ambiente de cobrança elevada. Na primeira temporada à frente do clube (2021/22) conquistou a Bundesliga, embora tenha sido demitido em março de 2023, antes do encerramento daquela campanha. Posteriormente, conduziu a Alemanha à Eurocopa de 2024, mas deixou a seleção após uma surpreendente eliminação para o Paraguai na fase de 32 avos da Copa do Mundo de 2026.

O histórico combina credenciais relevantes com pontos de interrogação. Nagelsmann nunca comandou uma equipe na Premier League e precisaria adaptar suas ideias às exigências físicas e ao calendário do futebol inglês. Além disso, implementar um sistema tático sofisticado demanda tempo, compreensão dos jogadores e estabilidade no planejamento. Em um clube que costuma reagir rapidamente aos resultados negativos, esse processo poderia se tornar um problema.

Há ainda um elemento favorável nos bastidores: o alemão trabalhou com Christopher Vivell, atual diretor de recrutamento do United, no RB Leipzig. A relação pode facilitar o alinhamento sobre o perfil dos jogadores e as necessidades do plantel. Ainda assim, essa proximidade só terá valor se houver consenso entre o treinador e os dirigentes sobre a direção esportiva.

Unai Emery: organização comprovada, mas uma negociação difícil

Unai Emery, técnico do Aston VillaUnai Emery, técnico do Aston Villa (Foto: Millie Evans / Every Second Media / IMAGO)

Unai Emery surge como uma alternativa capaz de conciliar organização tática e competitividade imediata. Desde que assumiu o Aston Villa, em 2022, o espanhol recolocou o clube entre os protagonistas da Inglaterra e consolidou uma equipe com mecanismos bem definidos. Seu histórico também inclui conquistas europeias por Sevilla e Villarreal, além de títulos nacionais na França.

Uma das principais virtudes de Emery está na preparação das partidas. Seus times costumam apresentar comportamentos bem treinados, com pressão organizada, controle dos espaços e transições ofensivas objetivas.

No United, esse repertório poderia ajudar a reduzir a distância entre o potencial individual do elenco e o rendimento coletivo. O treinador também tem experiência em adaptar estratégias aos adversários, característica importante para uma equipe que precisa voltar a competir em diferentes contextos.

Outro ponto favorável é a capacidade de desenvolver um projeto sem depender exclusivamente de grandes investimentos. O trabalho no Villa demonstrou que um time bem estruturado pode alcançar resultados expressivos mesmo diante de rivais com maior poder financeiro. Essa experiência seria valiosa para um United que precisa melhorar o aproveitamento do plantel e tornar suas contratações mais coerentes.

O principal entrave, entretanto, é a viabilidade da operação. Emery tem contrato com o Aston Villa até 2029 e permanece comprometido com o projeto. Uma investida exigiria convencer o treinador a deixar um ambiente no qual já construiu uma estrutura competitiva, além de negociar uma compensação financeira significativa.

Sua passagem pelo Arsenal também serve de alerta. Embora tenha alcançado a final da Liga Europa (vice para o Chelsea), não conseguiu estabelecer a continuidade esperada em um dos grandes clubes ingleses. Isso não invalida seu trabalho atual, mas reforça que o sucesso em um contexto não garante adaptação automática a outro. No United, Emery precisaria encontrar uma direção esportiva alinhada às suas ideias e respaldo para implementar suas exigências.

Antonio Conte: disciplina e cobrança em um ambiente de alto risco

Último trabalho de Antonio Conte foi no NapoliÚltimo trabalho de Antonio Conte foi no Napoli (Foto: Cesare Purini / Insidefoto / IMAGO)

Antonio Conte oferece uma proposta mais incisiva. Conhecido pela exigência física, pela disciplina tática e pela personalidade forte, o italiano costuma estabelecer padrões claros de comportamento e cobrar comprometimento integral dos jogadores. Seus títulos por Juventus, Chelsea, Internazionale e Napoli demonstram capacidade de transformar times competitivos em candidatos a conquistas importantes.

No Manchester United, Conte poderia atacar um dos problemas mais evidentes do elenco: a falta de consistência. Suas equipes costumam apresentar estruturas bem definidas, movimentações coordenadas e participação intensa dos jogadores nas fases ofensiva e defensiva. A preferência por sistemas com três zagueiros e alas também poderia oferecer uma nova organização ao time, desde que o plantel tivesse características compatíveis com essas exigências.

A questão é que Conte não costuma aceitar passivamente decisões que considera prejudiciais ao trabalho. O treinador exige participação na montagem do plantel, reforços adequados e uma estrutura capaz de sustentar suas ambições. Em um clube marcado por divergências e mudanças frequentes de direção, essa postura pode tanto acelerar transformações quanto aprofundar conflitos.

O United precisaria definir até onde estaria disposto a conceder autonomia ao técnico e quais responsabilidades permaneceriam nas mãos do departamento de futebol. Sem um acordo claro sobre recrutamento, planejamento e autoridade, a relação poderia se desgastar rapidamente.

Há também uma questão de continuidade. Conte é conhecido por buscar resultados expressivos em ciclos relativamente curtos, mas seu estilo de gestão pode gerar desgaste ao longo do tempo. Contratá-lo para reagir à crise sem resolver os problemas estruturais significaria correr o risco de obter uma melhora inicial e, depois, reencontrar os mesmos obstáculos.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Calvano
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